Dia desses fui ao banco solicitar um serviço e fui atendida por uma gerente de contas super simpática. Percebi que ela me olhou por um tempo mais longo, notou meu cabelo solto, enrolado e disse antes mesmo de iniciar o atendimento: - Nossa como você combina com seu cabelo, ele fica tão bem para você.

Mal sabia que assim como ela, eu me rendi por muitos anos ao alisamento e a escova para me adequar a um tipo estético e uma praticidade de estar sempre arrumada.

Então pedi o que necessitava e no meio da conversa formal ela começou a me contar que seu filho de 9 anos disse a ela bem assim: Mãe eu queria que minha vida tivesse magia.

Ela perguntou já um pouco nervosa: - E o que é magia para você? 

Ele disse: - Ham mãe tudo o que eu peço de presente você me dá e ainda ganho sempre mais do que pedi e antes da data. Aí perde a graça.

Bem... eu percebi que era eu quem estava ganhando um presente, que aquilo viraria um texto com certeza.

Ela ficou realmente brava com a queixa do filho, e ainda não havia engolido aquela reivindicação, talvez por isso me contava a história com um tom de indignação e abriu seu coração como se precisasse se justificar.

Me disse que fazia um esforço enorme para dar tudo de bom para ele, que pagava alguém só para ficar com ele o dia todo e que naquela oportunidade e falou para o filho: Você não tem magia na sua vida porque você tem tudo, não precisou andar descalço como sua mãe olhando para o chão para não machucar o pé por falta de um calçado. Magia teria o menino de rua se alguém o levasse para tomar um sorvete que ele nunca havia experimentado. 

Eu compreendi a história daquela mulher imediatamente. 

Ela saiu do nordeste como muitos outros e veio construir uma história bem sucedida na grande cidade. Essa é a história da minha família também. 

Ela imaginou que oferecendo um mundo de conforto e abundância material iria suprir tudo o que o filho necessitava.

Ela criou esse cenário à custa de muito trabalho e tempo dedicado a pessoas estranhas como eu naquele momento na sua frente, enquanto alguém cuidava do seu maior tesouro em casa.

Ela fez isso para poupar o filho do sofrimento que teve na própria infância e estava muito confusa com a “nova necessidade” do filho, magia!

Ela não entendia como ele podia sentir falta de alguma coisa e lá no fundo... como estava sendo ingrato por não reconhecer tamanho esforço.

Bem, essa história me tocou profundamente. Retrata bem como as crianças nos desafiam a reavaliar nossos valores e estilo de vida.

E ainda me fez reafirmar a ideia de que já é hora de construirmos um caminho do meio em relação ao trabalho em nossas vidas.

Eu fiz uma breve pesquisa de campo e perguntei a algumas crianças aqui do prédio onde moramos em São Paulo capital se elas se lembravam de um dia de magia. As respostas comprovaram minha suspeita. Citaram dias de recreação com os pais. Passeios, férias, momentos em família.

Hoje essas crianças, desde muito cedo afastadas do convívio com os pais, principalmente a mãe, passam a valorizar outras coisas... elas tendem a ser adultos que negam o estilo de vida dos pais, os valores, porque para ter foi preciso experimentar a distância. O afastamento prematuro daquilo que mais amam.

E assim caminhava a humanidade até aqui, aquela gerente de banco negou parte da sua história e buscou o caminho contrário. Saiu da pobreza e buscou a riqueza. Assim como as mulheres da década de 70 que buscaram a liberdade e ganharam o “mercado de trabalho” e criaram meninas para serem primeiramente profissionais.

Como a vida historicamente se desenvolve em ciclos, um ciclo de muita repressão naturalmente era substituído por um ciclo de muita liberdade.

A grande questão é que agora chegamos num ponto que nossos próprios filhos estão nos mostrando que a vida fica sem graça e sem sentido se estivermos ou muito lá ou muito cá. É hora de criarmos um caminho do meio.

Por que não sermos mães presentes e também profissionais bem sucedidas e realizadas?

Por que uma coisa parece automaticamente anular a outra?

Talvez porque até agora não encontramos novas soluções para o dilema? 

Porque compramos um modelo econômico de 8, 10, 12 horas de trabalho?

Porque vendemos nosso maior bem para outros lucrarem, nosso tempo?

Porque ao invés de cooperarmos nós competimos e acumulamos coisas?

Então, se você já é mãe ou pretende ser e também deseja oferecer seu dom através de produtos e serviços saiba que é possível fazer as duas coisas.

Talvez você vai precisar de ajuda nesse começo. Para mudar paradigmas, crenças, valores. Para curar medos e memórias que nos apavoram.

Mas saiba que há saída. Já tem gente trilhando esse caminho. Eu sou uma delas. Conheço bem esse processo.

Ham e voltando ao assunto do meu cabelo enrolado do início do texto. Aquela mulher amorosa e guerreira escondida atrás de uma mesa de banco e dos cabelos alisados notou meus cabelos por um motivo bem simples.

A alma dela também deve estar doida para ser livre, para deixar tantas regras e etiquetas, tantos padrões sociais criados para sermos aceitos no velho modelo. Para criar seu filho com presença e não ter que abrir mão do seu lado profissional.

Porque me ver bonita novamente com meus cabelos enrolados faz parte da minha cura como mulher. 

Tem dias que ainda é difícil, porque partes em mim estão em construção.

Estou aos poucos aceitando e acolhendo todas as minhas faces e meu cabelo revela parte da coragem de eu me assumir como sou. 

Por muito tempo me vi bonita de cabelo liso, e não tenho nada contra a chapinha, pelo contrário, acredito na verdade que cada mulher deve mesmo buscar autoestima e liberdade de ser quem deseja.    

Eu naquele momento disse a ela: Talvez você possa voltar a usar seu cabelo de forma natural.


E o que eu estava dizendo na verdade era: talvez você não acredita ainda, mas pode sim estar plena com seu feminino e estar em paz com você, com suas raízes, com seus pais e sua história. 

Pode e tem o direito de estar em todos os papeis de sua vida sem tanto peso, sem tanta culpa, sem tantas máscaras para se proteger e ser aceita.

E o mesmo vale para você!


Um grande beijo!!!







A essência feminina tem uma percepção mais ampla do mundo e a essência masculina uma percepção mais focada. Essa é uma observação feita com base no comportamento humano e estudada pela neurociência e psicologia. Homens e mulheres utilizam de forma diferente o cérebro e se complementam justamente por apresentarem características predominantes opostas.

Vou aproveitar esse gancho e te convidar para você ampliar ainda mais sua percepção sobre o que é Ser Mulher.

Vamos lá!

O corpo da mulher foi formado no sentido de produzir mais através de si mesma e estabelecer relacionamentos. A vibração da inclusão é nossa, de perceber que há sempre uma relação entre o indivíduo e o todo. E isso não quer dizer que gerar um filho nos define como mulher. Faz parte da nossa natureza, mas não nos define.  

Antes disso temos um fator comum que nos define, a menstruação. 

E a crença de que a menstruação só existe para a procriação pode enfim ser superada.

A médica americana Christine R. Page especializada em obstetrícia e ginecologia e fundadora da Frontiers of Health há 30 anos relata no livro “O Manual dos Mistérios da Mulher” os números que comprovam porque nosso Ciclo Menstrual não está conectado com a procriação. 

A taxa de natalidade global é de 2.4 nascimentos

A taxa média de ciclos menstruais por mulher (da puberdade a menopausa) é de 420 ciclos.

Então sugeriram a ela que esses ciclos extras conferem a mulher muito potencial para engravidar. Ela pensou: é muito potencial desperdiçado: 417 ciclos extras! 

E ainda completa, “A mãe natureza detesta desperdício. As estatísticas sugerem que chegou a hora de adotarmos um novo olhar sobre o nosso ciclo menstrual. E se a mulher tivesse a oportunidade de dar à luz a cada mês, não apenas a bebês, mas também a novas ideias criativas e sonhos? E se as mulheres fossem parturientes da nova consciência seja nos dons de uma criança ou na forma de novos projetos e ideais inspiradores?”

Ela conclui: “A realidade é que fomos programadas para viver muito mais de um século. Nossa menstruação encerra depois de aproximadamente trinta e cinco a quarenta anos porque até essa idade deveríamos já ter aprendido a fluir por meio do ciclo criativo e não precisaríamos mais de uma manifestação exteriorizada para nos guiar.”

A palavra menstruação origina-se do grego períodos, que significa “dar a volta” ou “ciclo”. Ou seja, a mulher carrega em si a dinâmica da vida na Terra e da Natureza, materializa em seu próprio corpo os ciclos de vida-morte-renascimento tão importantes para a renovação de tudo que há.

Nosso corpo a cada mês interage com a lua, com os elementos da terra e na dança do nascer e morrer mantém o equilíbrio vital.

Essa sabedoria e conexão junto à Natureza foram perdidas e esquecidas por nós mulheres ao longo de séculos. 

E sinto sinceramente que vem daí nossa verdadeira definição. Somos a manifestação do milagre da vida, do novo. “Nós somos o colo do mundo, nós somos aquelas que nutrem, animam e sustentem a força do Masculino no mundo.” Belas palavras da brasileira Cler Barbiero de Vargas no livro: A sombra nos grupos e círculo de mulheres. 

 Tive o prazer de conhecer essas duas autoras pioneiras em trabalhos do resgate do feminino e tenho um imenso prazer em citá-las aqui no blog para vocês.


Hoje sou mãe de um menino e a maternidade foi minha grande inspiração para um processo de reencontro com meu feminino e meu masculino. 

Portanto acredito ser a gestação um precioso caminho para a ampliação da consciência e descoberta de nossa missão nessa vida, mas não é única condição.

Antes disso somos esse caldeirão de amor, somos flores a desabrochar, somos pura semente potencialmente abençoada para florir!

Se está difícil manifestar essa face amorosa que você genuinamente é, é porque existem véus que te impedem, couraças herdadas através de experiências do sistema familiar, de valores e crenças perpetuadas, de expectativas e medos ainda por curar. 

E Este é um espaço criado para te ajudar nesse processo.

Espero ter adubado um pouco sua mente e coração e colaborado no seu processo de amor próprio e de coragem para desabrochar!

Beijo grande!








Olá queridas mães, quero compartilhar com vocês nossa experiência noturna com o Arthur. Como são as noites de sono com nosso pequeno.

Sempre fui muito curiosa e teimosa, então tudo o que eu lia ou ouvia falar que era bom para fazer o bebê dormir eu filtrava e alinhava com minha intuição.

Como eu tive a benção de conhecer a Ciência do Início da vida antes até de conhecer meu marido eu entendi logo que no ritmo de vida que eu tinha não cabia um bebê. Gente, isso parece uma bobagem, um exagero, mas acreditem, não é.

Se você trabalha demais, está sempre disponível para uma chamada de emergência do chefe, ou mesmo tem um ritmo acelerado de ser e produzir coisas, não importa se são bolachas ou relatórios, a tendência é que quando vier uma criança você vai dar uma pirada.

Uma nova vida nos mostra um ritmo diferente das coisas. Os hormônios nos transformam para sermos apenas mãe naquela fase, dedicação total àquela SUPER NOVIDADE!

E se você não se permitiu algumas mudanças no seu dia a dia, falo de adaptação mesmo, novas escolhas, você tende a entrar em curto.

Tipo eu recomendo isso, abrir espaço para o novo, para toda a demanda de tempo e entrega que a maternidade necessita. Isso faz parte do que chamamos de concepção consciente.

O ritmo interno acelerado vai ser assimilado pelo seu filhinho ainda dentro da sua barriga. E quando chegar a hora dele precisar desligar tudo e dormir, a tendência é sentir dificuldades.

Comece a investigar você mesma na hora de dormir:

Você vai numa boa para a cama?

Ou fica adiando, lendo mais uma página do livro, ou aproveitando para lavar a louça ou assistir um filme?

Qual a sua relação com o sono?

Você quando criança dormia horas seguidas?

Tinha noites tranquilas de sono?

Sua dinâmica com o sono pode moldar seu bebê. Sua dificuldade em se entregar vai influenciá-lo diretamente ainda no ventre.

Saiba que você é a grande referência para seu filho nos primeiros três anos de vida e existe uma fusão emocional entre você e seu bebê até cerca de 2 anos. Significa que o que você sente ele sente. O que você não expressa ele expressa.

Tudo isso é bastante estudado e relatado nos livros da psicoterapeuta Laura Gutman,  que tem um centro de formação de profissionais das áreas da saúde e educação na Argentina com foco na maternidade. Um trabalho lindo que quero muito conhecer de perto!

Então vamos começar do começo. Essa história de deixar a criança chorar até cansar, de encher de atividades para estar exausta de sono ao chegar à noite, ou mesmo esperar por um milagre que ela durma algumas horas seguidas é uma ilusão. Algumas estratégias podem até dar certo, mas custam um preço alto para a criança e mesmo para as mães.

Já me convenci que somos seres feitos para ter prazer. Nosso corpo mostra isso. Então se o sono não for um momento prazeroso e seguro, de descanso mesmo e gostosura o ser humaninho pode levar esse trauma para a vida adulta.

Exemplo: Uma criança que presencia a briga dos pais à noite pode desenvolver pânico noturno. Uma outra que espera o pai chegar normalmente embriagado em casa também não vai estar confortável com a hora de dormir. Ou ainda só tem o período da noite para estar na presença dos pais (principalmente a mãe até 3 anos).

Nesse caso dormir passa a significar uma ruptura dolorosa do vínculo. São âncoras que fazemos e acionamos na hora de dormir. 

Essas sensações são arquivadas no subconsciente e acionada quando a noite chega.

Agora, se a mãe desde a gestação cria uma rotina mais calma, para curtir aquela barriga e se permitir descansar ainda grávida, ir dormir cedo, priorizar as horas de sono, colocar uma música suave para ancorar positivamente o sono, receber carinho do marido nessa hora e ter estímulo prazeroso para dormir, isso tende a dar bons resultados.

Se ela não tem preocupações vitais, como o sustento da casa, perder o emprego, não ser aceita pelo próprio modelo familiar por se dedicar a maternidade por um período, ela tem um terreno favorável para estar em paz e passar essa tranquilidade para o bebê.

Falo de condições emocionais favoráveis, que podem necessitar de processos de cura, de terapia, de preparação, novas escolhas e muita conversa franca do casal.

Aqui em casa foi assim, quando eu me percebia muito agitada com aquele barrigão, cheia de medos e ansiedades, chamava o marido, ele conversava comigo e com o bebê, nos acalmávamos e dormíamos.

Era incrível, minha agitação mental fazia o Arthur pular na minha barrida e a presença do pai era um antídoto.

E o melhor: - quando eu me permitia estar frágil também abria espaço para o pai chegar, para participar do processo e se sentir parte. Ali eu equilibrava feminino e masculino em mim e para o nosso bebê.  

 Tudo isso nós fizemos e aqui em casa deu resultado. Meu instinto sabia que eu precisava me curar com o sono. Eu fui àquela menina muitas vezes assustada ou ansiosa.

Ou eu apagava geral para sair da realidade e dormia horas e horas a fio, ou eu demorava em ir para a cama, sempre fazendo algo, querendo me manter produtiva e acordada.

Estou encontrando o caminho do meio enfim. Até o sono tem seu lado positivo se estiver em equilíbrio em nossa vida.

Quanto aos efeitos disso no Arthur, ele é uma criança que a partir dos três meses já passou a dormir a noite toda, tipo das 9h às 6 da manhã, às vezes até mais e a partir de cerca de um ano sempre dorme 11 ou 12 horas de sono.

No inicio tivemos a cama compartilhada e com o desmame ele passou a dormir no quartinho dele. Isso mais recente, com 1 ano e 9 meses.

O pai sempre mostrou para ele que o sol foi embora, explicamos que é hora de dormir, nós fazemos um ritual em que ele se despede dos bichinhos, bibelôs da casa, falamos que todos vão dormir, escovamos os dentes e cama! Ele já sabe, já criou um gatilho positivo.

Outra questão importante é que mesmo com um contexto positivo, a criança normalmente não quer dormir, normal. Aí cabe aos pais perceber o que é melhor para ela. Ela demonstra cansaço e está apenas lutando com o sono. Então se você for firme, deitar junto, contar uma historinha, respirar mil vezes para você mesma se acalmar a criança tende a dormir.

Se ela vence você apelando para o emocional a coisa desanda. Sua culpa tende a derrubar a regra e o trabalho pode se perder.

E é claro que tem dias e dias, têm dias que a mãe está uma pilha, aí um banho ajuda, uma meditação, respirar mais fundo, às vezes só fazendo a DR (Discutir a Relação) com o marido mesmo, até o ritmo interno se acalmar. 

Tudo é de dentro para fora. Sempre!

Mas sinto sinceramente que isso só funciona com o Arthur porque ele tem minha presença integralmente até hoje. Ele não precisa disputar com o sono para estar conosco. Nessa disputa o sono perde fácil óbvio.

Agora estou retomando o trabalho, ele passa algumas horas brincando longe de mim e tudo se encaixa. Ele já não é mais um bebê longe da mãe. Está seguro de que não vou embora para lugar algum.  

Em consultório já acompanhei casos de crianças que não dormiam por diferentes fatores, crises do casal, dificuldade financeira dos pais, inseguranças que abalavam a estrutura da mãe e refletiam no bebê. Mãe que se afasta da criança depois de 4 ou 6 meses de vida e não lida bem com isso ou não prepara a criança. Inseguranças no geral.

Como sempre reforço nos meus textos. Não há regra. Há lógica. Há relações de causa e efeito e sistemas inconscientes atuando.

E buscar ajuda e informação pode fazer toda a diferença. Afinal sono é saúde, para crianças e adultos. 

Assim temos mais fôlego para os próximos dias e para ser feliz!

Grande beijo!!!



  




Demorei trinta anos para descobrir que boa parte das minhas reações diante de desafios da vida afetiva e profissional era uma repetição. E esse padrão foi criado a partir do meu nascimento.

Meu parto foi longo, minha mãe não recebeu assistência médica e acompanhamento emocional para evoluir para o parto natural, o resultado foi um parto fórceps feito às pressas porque eu havia encaixado com a cabeça para fora e minha mãe perdeu todas as energias depois de uma noite inteira de espera por uma equipe no hospital.

Essa é a versão que eu sempre escutei, mas a história toda eu só conheci quando fiz uma sessão de Respiração de Renascimento num seminário de autoconhecimento.

A terapia ou técnica é relativamente simples, você é conduzido a respirar na frequência de um recém-nascido e em poucos minutos está acessando memórias do subconsciente, uma espécie de regressão consciente. Porque durante todo o processo você continua lúcido, sentindo tudo e percebendo a cena através dos cinco sentidos.

 Ali eu senti o quanto desejava nascer, o quanto estava firme a preparada para aquele momento e era como se eu dissesse o tempo todo para minha mãe: eu vou nascer mãe, não se preocupe que eu vou nascer.

Então foram necessários cinco homens para me segurar (na sessão), eu renasci ali, no tatame daquela sala. Fiz um esforço enorme, chorei muito e consegui nascer de novo. E desta vez fui até o fim.

O mágico desse processo é que você tem a chance de refazer o percurso e concluir o que havia ficado incompleto.
Bem, mas eu não compreendi muito o que havia se passado naquele momento. Apenas nos dias seguintes as fichas foram caindo. 

Foi como se um clarão iluminasse partes do meu cérebro que eu não tinha acesso. Eu liguei os fatos e compreendi porque as coisas eram sempre tão difíceis e sofridas na minha vida.

As relações afetivas, começos e términos, tudo era muito dramático, doloroso e violento.

Na vida profissional, todos meus chefes representavam para mim o médico obstetra, eu nutria uma relação de amor e ódio por eles, porque hora acreditavam em mim, hora me desafiavam aos maiores projetos para testarem meus limites. E eu incrivelmente ia sempre até um ponto e achava depois que não seria capaz de concluir a tarefa. Aí eu pedia ajuda e me sentia uma fracassada por isso.


Não sei se entenderam... mas a impressão registrada no meu nascimento foi que quem me acolheu, me trouxe a vida naquela situação extrema não acreditou em mim para eu ir até o final sozinha. Foi meu salvador e meu algoz.

E eu mesma vinha atraindo situações parecidas para quebrar o trauma, para me dar conta, para romper essa crença que sozinha não era capaz de ir até o fim.

E confesso que isso é tão forte que até hoje sinto esses efeitos. Continuo atenta para não cair no velho padrão de auto boicote e minar meus projetos mais felizes.

Porque comigo foi assim, doeu nascer, me machucou, então involuntariamente viver, estabelecer vínculos vinha significando sofrer. E aquilo que a mente programa por uma experiência sensorial só é desprogramada quando nos damos conta e substituímos essa memória por vivências contrárias, gratificantes. Consciência e novos registros.

Nossa mente aprende por impacto e ou repetição. Então cenas felizes, vínculos harmoniosos e conquistas de grandes projetos vão me trazendo de volta a certeza de que eu posso, eu consigo, eu sou capaz.

Então minhas queridas o parto significa uma grande marca para o ser humano. Dependendo de como o bebê percebeu esse momento e registrou o trauma, ele se condiciona a responder a estímulos semelhantes da mesma maneira.

Em um país que trata o parto como ato médico e realiza cesariana indiscriminadamente é fácil entender porque percebíamos na população uma apatia, uma baixa estima e até mesmo fracassos inesperados. Porque percebo que isto está mudando.

Mesmo sendo os melhores em algo, na hora H nos pegamos levando 7 a 0. É claro que esse não é um exemplo confiável porque muita coisa além da nossa imaginação estava em jogo. Mas a metáfora cabe.

Somos praticamente uma geração que nasceu sem sentir o gosto do primeiro grande sucesso. Da primeira conquista pessoal. O primeiro registro de: eu posso e sou capaz. Eu me basto e não preciso de um governo e nem de um chefe e nem de regras de trânsito. Somos os protagonistas e nos responsabilizamos. Eu e minha mãe, eu a aquela que me trouxe ao mundo.

Empolguei aqui rs...

E não falo isso para julgar as mães e famílias que optam por cesárea. Falo porque acredito nisso e torço para que esses conhecimentos cheguem aos lares tão amorosos de crianças lindas que merecem um renascimento também. E elas não precisam esperar os 30 anos como eu.

Mães amadas... só de tomar consciência de tudo isso e muito mais, vocês podem reprogramar seus filhos conversando com eles depois da primeira hora de sono e explicarem o que as levou a fazer uma cesárea por exemplo.

Seus medos, suas crenças, seu contexto familiar. Você pode assumir essa responsabilidade de todo o coração e dizer para a criança: - Eu sinto muito meu amor, a mamãe não imaginava o quanto era importante para você a experiência de vir ao mundo do seu jeito, no seu tempo.

E pode dizer ainda: - Querido filho, você não precisa mais ser tão ansioso ou desconfiado. Agora a mamãe sabe que apressamos você, você não estava pronto, nós decidimos por você. De certa forma a mamãe não acreditou que podia e não acreditou em você também. Mas agora a eu afirmo: Acreditamos em você! Agora você pode fazer as coisas no seu tempo. A mamãe e o papai não vão mais apressar você. Você pode confiar em nós.

E para não criar confusão na criança, é bom cumprir o prometido e não cair na expectativa da sociedade de ter o desfralde com tal idade, alfabetização o quanto antes e assim vai.
  
E ainda: - Querido filho, você não precisa ser tão independente tão cedo. A mamãe ama você do jeito que você é.

Cada uma de vocês que lê esse texto agora sabe exatamente o que precisa dizer para o seu tesouro. Você melhor que ninguém conhece seu filho e pode liberá-lo para a vida!

E se isso for feito com profunda entrega e sinceridade a criança assimila e salta. Ela se libera daquela impressão do trauma do parto.

Lembrando que cada um vai registrar um trauma de acordo com sua percepção. A mesma intercorrência pode gerar estímulos e respostas completamente diferentes em crianças e adultos.

Não existe regra aqui.

E muitas são as técnicas para nos auxiliar nesse processo.

O que quero deixar registrado para vocês é que tudo pode ser revertido. 

Às vezes a crianças e mesmo o adulto vai precisar de mais estímulos positivos para vencer o trauma. Eu mesma estou na aula de costura e a cada peça que eu termino é um presente para minha alma, eu reafirmo a crença: Eu Consigo!

E assim a vida segue mais gostosa e prazerosa!

Eu espero ter ajudado e colaborado!

Um grande beijo e vamos reprogramar nossa mente! Vale a pena!



Técnicas que podem ajudar:


Respiração de Renascimento ou Consciênte
respirarconsciente.com.br 


Maha Dharma - Tom Cau


Ciência do início da vida - Eleanor Luzes cienciadoiniciodavida.org 


thetahealing.com.br












Olá amadas, primeiro quero dizer que depois de um período de quase dois anos, retomo minha autoestima, me vejo finalmente bonita, assumindo totalmente meus cachos e minhas saias. Porque sair de uma fase de cabelos forçadamente lisos e ainda toda a metamorfose de uma gravidez de uma vez só foi um teste e tanto. 

Um renascer de identidade visual e ainda olhar para meus seios mais caidinhos, a barriga com estrias e mais flácida e mesmo assim me amar pelo conjunto da obra kkk. Porque meu lado crítico construtivo sabe que posso ficar melhor de tônus, mas a prioridade neste momento agora é outra. É dividir com vocês essa aventura de florir, de me encontrar como mulher e deixar as vozes limitantes da mente de lado.

Agora que desabafei e tricotei vamos ao tema deste post.

Sabe quando você trabalha naquela empresa que não é o modelo ideal de valorização profissional? Que mantem salários incompatíveis às funções, que não tem um plano de cargos e salários segundo critérios de merecimento e competência, que da porta para fora vende o slogan de qualidade mas do pátio de produção para dentro peca em valorizar o capital humano que tudo faz acontecer?

Pois é, chamo essa empresa de trampolim. Ela não existe para te colocar numa zona de conforto e te estagnar. Ela existe para te lançar!

Ela existe para ser uma usina criativa, onde você aprende a fazer de tudo um pouco para crescer, para ganhar experiência e qualidades que vão te acompanhar pelo resto da vida. Normalmente elas permitem mais liberdade de atuação, seus processos não são rígidos. E esse é o presente que ganhamos delas.

Ou talvez é aquela empresa tipo pai careta, que te garante a segurança de um bom salário mas te aprisiona com tantas formalidades e regras de atuação que você não vê a hora de experimentar a liberdade de fazer o que realmente sabe e gosta.  

Empresas assim estão a serviço dos nossos maiores sonhos, mas não são elas que vão realiza-los, É VOCÊ QUANDO SAIR DE LÁ!

Porque existe um prazo para tudo na vida. O bebê quando está pronto para nascer é expulso pelo próprio útero que permitiu seu surgimento e desenvolvimento. A analogia é a mesma.

O útero espreme, espreme e espreme até o bebê entender que ali já não lhe cabe mais, não é seu lugar. E mesmo que lhe pareça assustador e apavorante, ele sente que vai ter que encarar o desconhecido para se manter vivo.

Então, você pode estar justamente nessa fase. Seus sonhos e sua missão de vida vibram no seu coração e onde você está já não dá para ficar. E isso não quer dizer que não devemos reconhecer todo o processo até ali. Muito pelo contrário.

Seu sucesso dali para frente vai depender da gratidão que você sente ou não pela empresa que te criou e agora te joga para a vida, para o próximo degrau, para sua verdade interior.

O mesmo vale para nossa mãe.

Quem olha para a mãe e ainda tem críticas ou expectativas não toma o presente ofertado de graça, a vida. Isso pode ser consciente ou não.

Então só estamos liberados e prontos para o sucesso quando temos gratidão e só chegamos a esse sentimento quando valorizamos àquilo que recebemos e isso é o bastante. Daqui para frente tudo o que for necessário nós mesmos conquistamos. Inclusive amor, ou melhor, amor próprio. E depois do amor próprio aí sim... existe chance real de encontrarmos uma relação de trocas equilibradas e harmonia.

O ex-funcionário da empresa trampolim pode até se sentir explorado e reivindicar na justiça seus direitos, mas normalmente não consegue usufruir da causa trabalhista. Assim como quem cobra algo dos pais e ao receber o que vem deles dessa forma, não se completa. Continua vazio querendo mais e mais.

E porque as coisas funcionam assim? Porque nesse mundo dualista em que vivemos, é experimentando o ruim que descobrimos o bom, é descobrindo a insatisfação que normalmente buscamos a satisfação. Quando a verdade por traz da cortina é uma só. No mundo perfeito da Criação Divina não existe bem ou mau, não existe julgamento, existe uns a serviço dos outros. 

Existem formas inusitadas da arquitetura cósmica para provocar em nós o nosso melhor. Existe uma matemática perfeita.

Então toda a minha gratidão a essas empresas. Obrigada por não nos acomodarem, por mostrarem nosso verdadeiro potencial e direção. Por nos forçar a ouvir o coração e assim percebermos que podemos ir mais longe. Por nos fortalecer para esse caminho tão nobre e desafiar nossos aparentes limites. Por formar profissionais polivalentes preparados para serem o que quiserem. Por me ensinar tantos ofícios em uma só função. 

O que é considerado em muitos contextos um tipo de exploração por acumulo de função. Pura oportunidade se mudarmos o foco!

É claro que por vezes também pensei assim, mas logo abri os horizontes e dei o melhor que pude enquanto acumulava bagagem para meu sonho maior.

Enquanto era bom eu permanecia e quando se tornou realmente insustentável fui honesta para sair. Assim todos ganharam.

Agora posso enfim viver minha verdade com gratidão e completude. Posso ser uma jornalista terapeuta blogueira apresentadora escritora e criar o meu mundo da comunicação. Comunicar a ampliação de consciência e a felicidade.

Posso olhar para traz com gratidão, muita gratidão, porque vejo o propósito de Deus em cada passo do passado e em cada peça da engrenagem que chamamos de sociedade civil organizada.

Se você está em uma empresa trampolim quem sabe possa olhar para ela com gratidão e se despedir com a mala cheia! Levar consigo apenas o que foi bom e seguir em paz. Próspero porque percebeu que só ganhou e não perdeu nada. E se perdeu, um pouquinho de tempo talvez, foi por medo ou algum tipo de atitude auto-sabotadora que não lhe serve mais. 

Assim ela cumpre sua missão e você também.

Estou naquela fase de viver o slogan que diz: só é legal quando todos ganham, ou: dividir é multiplicar. E e a abundância começa com a gratidão.


Um imenso beijo! E coragem, o horizonte é vasto e te espera!